A disputa presidencial entra em uma nova fase com Flávio Bolsonaro (PL) chegando ao segundo turno à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e contando, desde os primeiros dias após a votação, com uma importante rede de apoio nos estados.
Dos 20 governadores eleitos no primeiro turno, dez já declararam apoio a Flávio Bolsonaro. O grupo é formado por cinco governadores do PL e outros cinco eleitos por Republicanos, PP e Podemos. A expectativa é de que esse número aumente com novas manifestações ao longo da semana.
Entre os principais nomes que já fecharam com o candidato do PL estão Sérgio Moro (PL), no Paraná; Tarcísio de Freitas (Republicanos), em São Paulo; Jorginho Mello (PL), em Santa Catarina; Luciano Zucco (PL), no Rio Grande do Sul; Marcos Rogério (PL), em Rondônia; e Arthur Henrique (PL), em Roraima.
Também declararam apoio a Flávio os governadores Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG), Otaviano Pivetta (Republicanos-MT), Eduardo Riedel (PP-MS) e Dr. Daniel (Podemos-PA).
O movimento dá ao candidato uma rede de palanques estaduais relevante justamente no momento em que a campanha começa a buscar votos para a segunda rodada da eleição.
No Paraná, o apoio de Sérgio Moro tem peso especial. Eleito governador pelo PL, Moro fez parte da construção da campanha de Flávio desde o primeiro turno e agora passa a atuar diretamente na mobilização pelo candidato à Presidência.
O Paraná terminou a primeira etapa da eleição com uma forte presença da direita, com a eleição de Moro para o Governo e o avanço de partidos como PL e NOVO no Legislativo.
A adesão de Moro também reforça a estratégia de Flávio de consolidar nos estados governadores alinhados ao campo conservador e ao bolsonarismo.
Em São Paulo, o apoio de Tarcísio de Freitas representa outro importante ativo eleitoral.
O governador foi reeleito no primeiro turno com votação expressiva e é uma das principais lideranças políticas da direita brasileira. Seu apoio coloca o maior colégio eleitoral do país no palanque de Flávio.
Além de São Paulo e Paraná, o candidato do PL conta com governadores aliados em Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Rondônia, Roraima, Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Pará.
Enquanto Flávio amplia seu grupo de governadores aliados, Lula conta até o momento com cinco governadores eleitos no primeiro turno: Jerônimo Rodrigues (PT-BA), Elmano de Freitas (PT-CE), Rafael Fonteles (PT-PI), Fábio Mitidieri (PSD-SE) e Lucas Ribeiro (PP-PB).
Todos estão no Nordeste, região que historicamente apresenta maior força eleitoral para o PT.
O cenário, porém, ainda pode mudar com novas declarações de apoio.
Quatro governadores eleitos no primeiro turno ainda não anunciaram apoio a nenhum dos dois candidatos: JHC (PSDB-AL), Eduardo Braide (PSD-MA), Dr. Furlan (PSD-AP) e Raquel Lyra (PSD-PE).
Entre eles, JHC aparece como um dos nomes mais observados pela campanha de Flávio. O governador eleito de Alagoas recebeu apoio do candidato do PL durante a disputa estadual, mas preferiu não declarar voto presidencial no primeiro turno.
Agora, JHC afirma que pretende discutir a posição com seu grupo político antes de tomar uma decisão.
No Amapá, Dr. Furlan também permanece neutro. Embora seja filiado ao PSD, sua composição estadual contou com partidos como PL, NOVO e Podemos, além de sua vice-governadora eleita, Luciana Gurgel, ser do PL.
Em Pernambuco, Raquel Lyra já sinalizou que pretende manter a neutralidade. A governadora eleita afirmou que continuará preservando sua relação institucional com o governo federal independentemente de quem vencer a eleição presidencial.
No Maranhão, Eduardo Braide também evita escolher um lado. Eleito governador com mais de 54% dos votos válidos, o político mantém aberta a possibilidade de diálogo com os dois campos.
A movimentação também alcança partidos e lideranças do chamado Centrão. Nomes como Ciro Nogueira, Arthur Lira e ACM Neto são apontados como possíveis apoiadores de Flávio neste segundo turno.
A avaliação entre aliados do candidato do PL é que o resultado das urnas mostrou uma força maior da direita do que a prevista por parte dos adversários e que isso poderá influenciar novas adesões.
O segundo turno, portanto, começa com Flávio Bolsonaro tendo uma vantagem importante na construção de palanques estaduais. A estratégia agora é transformar o apoio político de governadores e lideranças regionais em votos nas urnas.
Com uma direita fortalecida nos governos estaduais e no Congresso, o candidato do PL busca ampliar sua vantagem conquistada no primeiro turno e chegar à reta final da eleição com uma aliança nacional cada vez mais ampla.
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